Li num livro de filosofia do amor sobre Eros, o Deus do amor, que dizia:
"Afrodite, Deusa da beleza e mãe de Eros, Deus do amor, via os anos passarem e notou que seu filho não crescia... resolveu então pedir ajuda aos outros Deuses que lhe recomendaram ter um outro filho. Nasceu então Anteros e com isso, Eros cresceu naturalmente."
Conclusão: O amor sozinho nunca cresce... Para o amor crescer, ele necessita de alguém, no caso, um irmão, uma namorada... enfim.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor ?
São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo,
se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno ?
Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades
que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora.
Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.
Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada
motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu,
fumando um cigarro atrás do outro,
ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.
Romeu não disse para Julieta que a amava,
que ela especial e depois sumiu por semanas.
Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele
o quanto ficava insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos
e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã
perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta).
Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estria e celulite
e histérica com muita coisa para fazer.
Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso,
querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo
para se envolver definitivamente com alguém.
Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava
ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.
Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta
no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro.
Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole
bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.
Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta.
Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.
Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.
Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu
estava dando mole para uma amiga dela.
Romeu nunca disse para Julieta que na verdade
só queria sexo e não um relacionamento sério,
ela deve ter confundido as coisas.
Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo
e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.
Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta.
Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.
Romeu nunca chegou para buscar a Julieta
com uma camisa xadrez horrível de manga curta
e um sapato para lá de ultrapassado,
deixando-a sem saber onde enfiar a cara de vergonha.
Por estas e outras que eles morreram se amando.
São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo,
se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno ?
Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades
que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora.
Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão.
Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada
motivado pelo impulso do álcool.
Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu,
fumando um cigarro atrás do outro,
ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado.
Romeu não disse para Julieta que a amava,
que ela especial e depois sumiu por semanas.
Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele
o quanto ficava insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos
e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã
perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta).
Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estria e celulite
e histérica com muita coisa para fazer.
Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso,
querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo
para se envolver definitivamente com alguém.
Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava
ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha.
Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta
no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro.
Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole
bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado.
Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta.
Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu.
Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo.
Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu
estava dando mole para uma amiga dela.
Romeu nunca disse para Julieta que na verdade
só queria sexo e não um relacionamento sério,
ela deve ter confundido as coisas.
Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo
e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança.
Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta.
Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu.
Romeu nunca chegou para buscar a Julieta
com uma camisa xadrez horrível de manga curta
e um sapato para lá de ultrapassado,
deixando-a sem saber onde enfiar a cara de vergonha.
Por estas e outras que eles morreram se amando.
Martha Medeiros
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Coração marcado
com o fantasma da dor
de um amor não dado
o quão simples e incrivel és
a situação que se chama amar
é possivel ser feliz ao tentar
mas não é possivel tentar se for infeliz
por tais situação que passamos
temos que aprender
e saber amar e a tambem sofrer
para poder se conter
com os objetivos conquistados
com o fantasma da dor
de um amor não dado
o quão simples e incrivel és
a situação que se chama amar
é possivel ser feliz ao tentar
mas não é possivel tentar se for infeliz
por tais situação que passamos
temos que aprender
e saber amar e a tambem sofrer
para poder se conter
com os objetivos conquistados
Kai Elivelton
O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.
William Shakespeare
Toda inspiração, deveria ser seguida de ação, se tentar e não conseguir, aquela experiência, o fará mais sábio que antes
Ivan Teorilang
Solidão é o meu fantasma, meu amigo, meu rival, meu companheiro.
Ele me assombra nas horas de medo, quando parece estar tudo perdido e sobrio. Ele é meu amigo, porque só tenho ele para compartilhar as danças, os risos tolos e sem sentido de uma lembrança. Meu rival porque não o quero perto de mim, mas ele está, só para me contrariar. Meu companheiro das noites, dos sonhos, dos passeios, do pôr do sol, das caminhadas à beira da praia só para me contentar em saber que há ninguém ao meu lado, apenas a solidão.
Uma paz hostil.
Tamirys Pinho
Ele me assombra nas horas de medo, quando parece estar tudo perdido e sobrio. Ele é meu amigo, porque só tenho ele para compartilhar as danças, os risos tolos e sem sentido de uma lembrança. Meu rival porque não o quero perto de mim, mas ele está, só para me contrariar. Meu companheiro das noites, dos sonhos, dos passeios, do pôr do sol, das caminhadas à beira da praia só para me contentar em saber que há ninguém ao meu lado, apenas a solidão.
Uma paz hostil.
Ghost
Eu conheço o fantasma que habita dentro de mim, posso ver em seus olhos que não estamos mais sozinhos. Eu não mais me atrevo a tentar te apagar de mim, pois sei que mesmo na solidão meus pensamentos te perseguem. Posso ver minhas lembranças me torturando,nem mesmo minha sombra me segue mais. Talvez tudo tenha acabado por aqui, talves esse seja nosso fim.
Luca Weingärtner
"A paixão é um elixir especial, que dissipa totalmente o fantasma do aborrecimento, pois ao vivê-la, tudo passará a ter sentido"
Ivan Teorilang
domingo, 5 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A Carteira
...De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira.
Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o
viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe
disse rindo:
— Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
— É verdade, concordou Honório envergonhado.
Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem
de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o
bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório,
que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as
circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a
princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida
da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia
remédio senão ir descontando o futuro.
Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos
empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer,
e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma
voragem.
—Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e
familiar da casa.
— Agora vou, mentiu o Honório.
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes
remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, com que fundara grandes
esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa
à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.
D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus
negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em
um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele,
dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os
trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o
Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente
falavam de política.
Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro
anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.
— Nada, nada.
Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria.
Mas as esperanças voltavam com facilidade. A idéia de que os dias
melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com, trinta e quatro
anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar,
a esperar, a gastar, pedir fiado ou: emprestado, para pagar mal, e a más horas.
A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de
carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor,
o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda,
com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da
tarde.
Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada. Ao
enfiar pela Rua. da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no
bolso, e foi andando.
Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando,
andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, —
enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana.
Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda,
sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede,
olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas
papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das
reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse.
Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão
irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida?
Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia
levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto,
vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a
cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido,
ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.
Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com
medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro;
não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte;
calculou uns setecentos mil-réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida
paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os
olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia
consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.
Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o
dinheiro. Contar para quê? era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e
trinta mil-réis. Honório teve um calafrio.
Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte,
um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos...
Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava,
passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo.
Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.
"Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar-me do
dinheiro," pensou ele.
Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu,
bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do
Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente
do amigo. Voltou ao interior; achou mais dous cartões, mais três, mais cinco. Não
havia duvidar; era dele.
A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um
ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um
amigo. Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu
última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era
quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns
dous empurrões, mas ele resistiu.
"Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer."
Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado e a própria
D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava
alguma cousa.
— Nada.
— Nada?
— Por quê?
— Mete a mão no bolso; não te falta nada?
— Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso.
— Sabes se alguém a achou?
— Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.
Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo.
Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a
necessidade, era um triste prêmio. Sorriu amargamente; e, como o outro lhe
perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.
— Mas conheceste-a?
— Não; achei os teus bilhetes de visita.
Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar.
Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou
um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia,
que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.
Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o
viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe
disse rindo:
— Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
— É verdade, concordou Honório envergonhado.
Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem
de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o
bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório,
que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as
circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a
princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida
da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia
remédio senão ir descontando o futuro.
Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos
empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer,
e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma
voragem.
—Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e
familiar da casa.
— Agora vou, mentiu o Honório.
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes
remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, com que fundara grandes
esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa
à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.
D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus
negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em
um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele,
dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os
trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o
Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente
falavam de política.
Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro
anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.
— Nada, nada.
Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria.
Mas as esperanças voltavam com facilidade. A idéia de que os dias
melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com, trinta e quatro
anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar,
a esperar, a gastar, pedir fiado ou: emprestado, para pagar mal, e a más horas.
A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de
carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor,
o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda,
com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da
tarde.
Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada. Ao
enfiar pela Rua. da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no
bolso, e foi andando.
Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando,
andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, —
enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana.
Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda,
sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede,
olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas
papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das
reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse.
Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão
irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida?
Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia
levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto,
vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a
cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido,
ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.
Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com
medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro;
não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte;
calculou uns setecentos mil-réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida
paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os
olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia
consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.
Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o
dinheiro. Contar para quê? era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e
trinta mil-réis. Honório teve um calafrio.
Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte,
um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos...
Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava,
passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo.
Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.
"Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar-me do
dinheiro," pensou ele.
Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu,
bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do
Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente
do amigo. Voltou ao interior; achou mais dous cartões, mais três, mais cinco. Não
havia duvidar; era dele.
A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um
ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um
amigo. Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu
última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era
quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns
dous empurrões, mas ele resistiu.
"Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer."
Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado e a própria
D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava
alguma cousa.
— Nada.
— Nada?
— Por quê?
— Mete a mão no bolso; não te falta nada?
— Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso.
— Sabes se alguém a achou?
— Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.
Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo.
Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a
necessidade, era um triste prêmio. Sorriu amargamente; e, como o outro lhe
perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.
— Mas conheceste-a?
— Não; achei os teus bilhetes de visita.
Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar.
Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou
um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia,
que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.
FIM
Machado de Assis
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Versos perdidos
Por você eu escreveria até minha tinta acabar, onde o papel seria por completo selado com palavras de amor, uma inspiração perfeitamente admirável, onde os componentes que a formam simplificam o desejo contido, sua beleza exuberante é devidamente iluminada pela luz do infinito, no qual você é o ser mais radiante e mais bonito, onde no teu espírito, adormece o mais forte grito, o grito do amor incondicional, como uma flecha que atravessa um coração apaixonado. Se o que não nos mata nos fortalece, então a flecha que atravessa meu peito é um sinal de que a paixão é realmente a conquista do amor, talvez um dia na aurora do amanhecer, quando uma gota de orvalho vir a visitar a tua pele, tu irás perceber, que esta gota é apenas uma lagrima apaixonada, que chora de amor por você, acredito que não conseguirei completar estes versos, pois minha tinta esta acabando, talvez consiga escrever só mais uma frase, para o amor nada é impossível, quando se ama de verdade.
Soneto Do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
sem medo do oceano
Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada: os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê a sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano. Mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem!
(Osho)
apaixonante
Amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso amante é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música ou na política, no esporte ou no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente ou na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando". E o que é "ir levando"? É ter medo de viver. É vigiar a forma como outros vivem, é se deixar dominar pela pressão, é perambular por consultórios médicos, é tomar remédios multicoloridos, é afastar-se do que é gratificante, é observar decepcionado cada ruga que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou frio, com a umidade ou a chuva. "Ir levando" é adiar a possibilidade de desfrutar o "hoje", fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não contente com "ir levando", procure ou busque um amante, seja também um amante e um protagonista da SUA VIDA. Acredite: o trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, sem mais delongas, procure um amante.
"Para se estar satisfeito, ativo e sentir-se jovem e feliz, é preciso namorar a vida".
(Jorge Bucay - tradução do original "Hay que buscarse um amante")
Como sobrevivemos?
RECEBO PELO CORREIO TRÊS LITROS de produtos que substituem o leite. Uma companhia norueguesa quer saber se estou interessado em investir na produção deste novo tipo de alimento, já que, conforme o parecer do especialista David Rietz, “TODO (as maiúsculas são dele) leite de vaca tem 59 hormônios ativos, muita gordura, colesterol, dioxinas, bactérias e vírus”.
Penso no cálcio que, desde criança, minha mãe me dizia que era bom para os ossos, mas o especialista se adiantou a mim: “Cálcio? Como é que as vacas conseguem adquirir suficiente cálcio para sua volumosa estrutura óssea? Das plantas!” Claro, o novo produto é feito à base de plantas, e o leite é condenado com base em um sem-número de estudos feitos nos mais diversos institutos espalhados pelo mundo.
E a proteína? David Rietz é implacável: “Sei que chamam o leite de carne líquida (nunca ouvi esta expressão, mas ele deve saber de que está falando) por causa da alta dose de proteína ali contida. Mas é a proteína que faz com que o cálcio não possa ser absorvido pelo organismo. Países que têm uma dieta rica em proteínas também têm um alto índice de osteoporose (ausência de cálcio nos ossos).” Nesta mesma tarde, recebo de minha mulher um texto encontrado na internet:
“As pessoas que hoje têm entre 40 e 60 anos andavam em carros que não tinham cinto de segurança, apoio de cabeça ou airbag. As crianças iam soltas no banco de trás, fazendo a maior arruaça e se divertindo aos pulos.
Os berços eram pintados com tintas coloridas, ‘duvidosas’, já que podiam ter chumbo ou outro elemento perigoso.”
Eu, por exemplo, sou parte de uma geração que fazia os famosos carrinhos de rolimã (não sei como explicar isso para a geração de hoje - digamos que eram bolas de metal presas entre dois aros de ferro) e descíamos as ladeiras de Botafogo, usando os sapatos como freio, caindo, machucando, mas orgulhosos da aventura em alta velocidade.
O texto continua:
“Não havia celular, nossos pais não tinham como saber onde estávamos: como era possível? As crianças jamais tinham razão, viviam de castigo, e nem por isso tinham problemas psicológicos de rejeição ou falta de amor. Na escola existiam os bons e os maus alunos: os primeiros passavam para a próxima etapa, os segundos eram reprovados. Não se procurava um psicoterapeuta para estudar o caso - exigiam apenas que se repetisse o ano.”
E mesmo assim sobrevivemos, com alguns joelhos arranhados e poucos traumas. Não apenas sobrevivemos, como nos lembramos, com saudade, do tempo em que leite não era veneno, em que a criança precisava resolver seus problemas sem ajuda, brigar quando necessário, e passar grande parte do dia sem jogos eletrônicos, inventando brincadeiras com os amigos.
Mas voltemos ao tema inicial da coluna: resolvi experimentar o novo e milagroso produto que substitui o leite assassino.
Não consegui passar do primeiro gole.
Pedi que minha mulher e minha empregada experimentassem, sem explicar o que era aquilo, e as duas disseram que jamais tinham provado algo tão ruim na vida.
Fico preocupado com as crianças de amanhã, com seus jogos eletrônicos, pais com celulares, psicoterapeutas ajudando em cada derrota, e - sobretudo - sendo obrigadas a beber esta “poção mágica” que as manterá sem colesterol, osteoporose, 59 hormônios ativos, toxinas.
Viverão com muita saúde, muito equilíbrio e, quando crescerem, descobrirão o leite (a esta altura, possivelmente uma bebida fora da lei). Quem sabe um cientista de 2050 se encarregará de resgatar algo que é consumido desde o início dos tempos?
Ou o leite será obtido apenas através de traficantes de drogas?
Paulo Coelho
sábado, 14 de janeiro de 2012
L'Aventura
(...)"Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais
Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade
Sinceramente, nem é verdade
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender"
Mas não consigo entender
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender"
Renato Russo
Luísa
Por ela é que eu faço bonito
Por ela é que eu faço o palhaço
Por ela é que saio do tom
E me esqueço no tempo e no espaço
Quase levito
Faço sonhos de crepon
Por ela é que saio do tom
E me esqueço no tempo e no espaço
Quase levito
Faço sonhos de crepon
E quando ela está nos meus braços
As tristezas parecem banais
O meu coração aos pedaços
Se remenda prum número a mais
As tristezas parecem banais
O meu coração aos pedaços
Se remenda prum número a mais
Por ela é que o show continua
Eu faço careta e trapaça
É pra ela que faço cartaz
É por ela que espanto de casa
As sombras da rua
Faço a lua
Faço a brisa
Pra Luisa dormir em paz
Eu faço careta e trapaça
É pra ela que faço cartaz
É por ela que espanto de casa
As sombras da rua
Faço a lua
Faço a brisa
Pra Luisa dormir em paz
Chico Buarque
SONETO CV
Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare
Rumo à feira de livros em Chicago
"Eu estava a ir de Nova York para Chicago, rumo à feira do livro de American Booksellers Association. De repente, um rapaz fica de pé no corredor do avião:
- Preciso de 12 voluntários.- disse.- Cada uma vai agarrar uma rosa quando aterrarmos.
Várias pessoas levantaram a mão. Eu também levantei mas não fui escolhido.
Mesmo assim, resolvi acompanhar o grupo. Descemos, o rapaz apontou para uma moça no átrio do aeroporto de O'Hare. Um a um, os passageiros forma-lhe entregando as rosas. No final, o rapaz pediu-a em casamento à frente de todos- e ela aceitou.
Um comissário de bordo comentou comigo:
- Desde que aqui trabalho, foi a coisa mais romântica que aconteceu neste aeroporto!"
Paulo Coelho
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Dormem os picos das montanhas,
Dormem mares e florestas
E tu velas insone na noite, Aléxandros.
Por onde andam teus olhos,
Aonde vai teu coração?
Busca lugares longínquos
Onde se põem constelações.
Onde morrem as ondas do imenso oceano.
Não pensas em mim, em minha amarga espera.
Arde em ti o fogo que queima
No coração dos deuses.
Poema que se encontra na contracapa do livro "Aléxandros, o sonho de Olympias"
Dormem mares e florestas
E tu velas insone na noite, Aléxandros.
Por onde andam teus olhos,
Aonde vai teu coração?
Busca lugares longínquos
Onde se põem constelações.
Onde morrem as ondas do imenso oceano.
Não pensas em mim, em minha amarga espera.
Arde em ti o fogo que queima
No coração dos deuses.
Poema que se encontra na contracapa do livro "Aléxandros, o sonho de Olympias"
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O mal quer que o bem seja feito
Conta o poeta persa Rumi que Mo'avia, o primeiro califa da linhagem de Ommiad, que estava um dia dormindo em seu palácio, quando foi despertado por um estranho homem.
- Quem é você? – perguntou.
- Sou Lúcifer – foi a resposta.
- E o que deseja aqui?
- Já está na hora de sua prece, e você continua dormindo.
Mo’avia ficou impressionado. Como é que o príncipe das trevas, aquele que deseja sempre a alma dos homens de pouca fé, estava procurando ajudá-lo a cumprir um dever religioso?
Mas Lúcifer explicou:
- Lembre-se que eu fui criado como um anjo de luz. Apesar de tudo que aconteceu na minha existência, não posso esquecer minha origem. Um homem pode viajar para Roma ou Jerusalém, mas sempre carrega em seu coração os valores de sua pátria: o mesmo acontece comigo. Ainda amo o Criador, que me alimentou quando era jovem, e me ensinou a fazer o bem. Quando me revoltei contra Ele, não foi porque não o amasse – muito pelo contrário, eu o amava tanto que tive ciúme quando criou Adão. Naquele momento, eu quis desafiar o Senhor, e isso me arruinou; mesmo assim, ainda me lembro das bênçãos que me foram dadas um dia, e talvez agindo bem eu possa retornar ao Paraíso.
Mo'avia respondeu:
- Não posso acreditar no que me diz. Você foi responsável pela destruição de muita gente na face da terra.
- Pois acredite - insistiu Lúcifer. – Só Deus pode construir e destruir, porque é Todo-Poderoso. Foi Ele, ao criar o homem, que colocou nos atributos da vida o desejo, a vingança, a compaixão e o medo. Portanto, quando olhar o mal à sua volta, não me culpe, porque eu sou apenas o espelho daquilo que acontece de ruim.
Sabendo que alguma coisa estava errada, Mo’avia começou a rezar desesperadamente para que Deus o iluminasse. Passou a noite inteira conversando e discutindo com Lúcifer, e apesar dos argumentos brilhantes que ouvia, não se deixava convencer.
Quando o dia já estava amanhecendo, Lúcifer finalmente cedeu, explicando:
- Está bem, você tem razão. Quando esta tarde cheguei para despertá-lo de modo a não perder a hora da prece, minha intenção não era aproximá-lo da Luz Divina.
“Eu sabia que, deixando de cumprir sua obrigação, você sentiria uma profunda tristeza, e durante os próximos dias iria rezar com o dobro de fé, pedindo perdão por ter esquecido o ritual correto. Aos olhos de Deus, cada uma destas rezas feitas com amor e arrependimento, valeriam o equivalente a duzentas orações feitas de maneira automática e ordinária. Você terminaria mais purificado e inspirado, Deus o amaria mais, e eu estaria mais longe de sua alma”.
Lúcifer desapareceu, e um anjo de luz entrou logo em seguida:
- Nunca se esqueça da lição de hoje – disse para Mo’avia. – Às vezes o mal se disfarça em emissário do bem, mas sua intenção escondida é provocar mais destruição.
Naquele dia, e nos dias seguintes, Mo’avia orou com arrependimento, compaixão e fé. Suas preces foram ouvidas mil vezes por Deus.
- Quem é você? – perguntou.
- Sou Lúcifer – foi a resposta.
- E o que deseja aqui?
- Já está na hora de sua prece, e você continua dormindo.
Mo’avia ficou impressionado. Como é que o príncipe das trevas, aquele que deseja sempre a alma dos homens de pouca fé, estava procurando ajudá-lo a cumprir um dever religioso?
Mas Lúcifer explicou:
- Lembre-se que eu fui criado como um anjo de luz. Apesar de tudo que aconteceu na minha existência, não posso esquecer minha origem. Um homem pode viajar para Roma ou Jerusalém, mas sempre carrega em seu coração os valores de sua pátria: o mesmo acontece comigo. Ainda amo o Criador, que me alimentou quando era jovem, e me ensinou a fazer o bem. Quando me revoltei contra Ele, não foi porque não o amasse – muito pelo contrário, eu o amava tanto que tive ciúme quando criou Adão. Naquele momento, eu quis desafiar o Senhor, e isso me arruinou; mesmo assim, ainda me lembro das bênçãos que me foram dadas um dia, e talvez agindo bem eu possa retornar ao Paraíso.
Mo'avia respondeu:
- Não posso acreditar no que me diz. Você foi responsável pela destruição de muita gente na face da terra.
- Pois acredite - insistiu Lúcifer. – Só Deus pode construir e destruir, porque é Todo-Poderoso. Foi Ele, ao criar o homem, que colocou nos atributos da vida o desejo, a vingança, a compaixão e o medo. Portanto, quando olhar o mal à sua volta, não me culpe, porque eu sou apenas o espelho daquilo que acontece de ruim.
Sabendo que alguma coisa estava errada, Mo’avia começou a rezar desesperadamente para que Deus o iluminasse. Passou a noite inteira conversando e discutindo com Lúcifer, e apesar dos argumentos brilhantes que ouvia, não se deixava convencer.
Quando o dia já estava amanhecendo, Lúcifer finalmente cedeu, explicando:
- Está bem, você tem razão. Quando esta tarde cheguei para despertá-lo de modo a não perder a hora da prece, minha intenção não era aproximá-lo da Luz Divina.
“Eu sabia que, deixando de cumprir sua obrigação, você sentiria uma profunda tristeza, e durante os próximos dias iria rezar com o dobro de fé, pedindo perdão por ter esquecido o ritual correto. Aos olhos de Deus, cada uma destas rezas feitas com amor e arrependimento, valeriam o equivalente a duzentas orações feitas de maneira automática e ordinária. Você terminaria mais purificado e inspirado, Deus o amaria mais, e eu estaria mais longe de sua alma”.
Lúcifer desapareceu, e um anjo de luz entrou logo em seguida:
- Nunca se esqueça da lição de hoje – disse para Mo’avia. – Às vezes o mal se disfarça em emissário do bem, mas sua intenção escondida é provocar mais destruição.
Naquele dia, e nos dias seguintes, Mo’avia orou com arrependimento, compaixão e fé. Suas preces foram ouvidas mil vezes por Deus.
Reflexão:
Inspirada em Mahatma Gandhi:
“Um NÃO pronunciado com convicção profunda, é muito mais importante que um SIM dito para agradar, ser simpático, ou – o que é pior – evitar problemas que fazem parte do seu caminho, e precisam ser resolvidos”.
Inspirada em Mahatma Gandhi:
“Um NÃO pronunciado com convicção profunda, é muito mais importante que um SIM dito para agradar, ser simpático, ou – o que é pior – evitar problemas que fazem parte do seu caminho, e precisam ser resolvidos”.
Paulo Coelho
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Contra o Sol
Preso nos seus olhos sem amor
Solto nessas mãos em aflição
Não me peça tantas desculpas
Não quero seus truques, quero seu sangue
Suas mãos vazias, mas inteiras
Perco-me no abraço sob a luz
Paro a face dura contra o sol
Não te peço tanta certeza
Embora eu queira tudo o que sinto
Espero...
Rindo dessa frágil promessa
Finjo que meu riso me acalma
Deito a noite escura e faço festa
Tentando não me ver perder
Aquilo que eu já sei escapa
Lento com seus lábios sem calor
Pálido das noites sem parar
Não me escreva versos sem vida
Se já não leio meus inimigos
Discretos...
Rindo dessa frágil promessa
Finjo que meu riso me acalma
Deito a noite escura e faço festa
Tentando não me ver perder
Aquilo que eu já sei escapa
Megh Stock
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Acaricio seus cabelos. Preciso usar de todo o tato e toda a delicadeza do mundo, dizer tudo e não dizer nada.
-Tudo o que eu preciso neste momento é um abraço. Um gesto tão antigo como a humanidade, e que significa muito mais do que o encontro de dois corpos. Um abraço quer dizer: você não me ameaça, não tenho medo de estar tão perto, posso relaxar, me sentir em casa, estou protegido e alguém me compreende. Diz a tradição que, cada vez que abraçamos alguém com vontade, ganhamos um dia de vida. Por favor, faça isso agora – peço a ela.
Trecho de “O Aleph”
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
De repente o sonho se tornou claro para mim. O que precisávamos escrever era o “meu” livro!
Já tinha feito projetos de uns quatro livros diferentes, que nunca tinha ido além do esboço de uns poucos capítulos. Faltava convicção, combustível. Faltava fôlego.
Foi então que resolvi, com a sua ajuda, escrever a nossa história. Essa me motivava.
“Não se atreva a morrer sem ter lido meu livro!” – eu havia dito. E você não tinha morrido mesmo, até porque precisava me ajudar a escrevê-lo.
Mas será que isso significava que você iria morrer, depois que o livro estivesse pronto? Não, não acredito nisso.
Você vai viver enquanto eu viver, uma vez que vive integrado em mim.
Provavelmente reviveremos cada vez que a nossa história for lida por alguém.
E como para cada história de amor sempre haverá leitores... creio que viveremos para sempre...
- Que assim seja!
- Que assim seja...
FIM?... Só Deus sabe!
O tempo também; não é cronológico, é emocional. Uma fração de vida que se passou há muitos anos quantas vezes está mais viva do que as ocorrências de uma semana atrás?
Nossa história tinha sido assim.
Cada encontro ativava o anterior, que continuava vivo, e prosseguíamos em nosso percurso, numa vida intensa, para além do espaço e do tempo.
Trecho de "Canção de amigo"
Hymne À L'Amour
“Acordei melhor. Foi um amanhecer mais leve. Concluí que fugir de você era o mesmo que fugir de mim. Você fazia parte de mim, como é que ia me separar de você? Não dava certo, o jeito era encarar esse fato.
Uma energia nova começou a fluir e fui tomando atitudes mais arrojadas; a vida era minha, o sentimento era meu, a história era nossa.”
Trecho de "Canção de amigo"
Falei ontem com você, a mesma voz... E já escrevo hoje, pas mal...
Mas hoje, particularmente, estou desanimado. Pensando muito no futuro, olhando o mundo com a sensação de presente como passado cristalizado. Pouco pra frente, muito já trilhado, o aqui e agora confuso, pouca visibilidade.
Sabe quando o dia não amanhece em você? Estou assim, não amanhecido, achando um saco estar nesse sem sentido de um cotidiano tão pouco glorioso. Acho que todos os dias deveriam ser amanha. Você acordaria, ou melhor, amanheceria em algum momento, e perguntaria ‘hoje já é amanha’?...
Trecho de "Canção de amigo"
domingo, 1 de janeiro de 2012
“Estávamos sentados juntos e, de repente, vi um brilho em seus
olhos, que nunca havia percebido antes. Meus lábios se
aproximaram dela e nos beijamos. Impossível descrever
exatamente o que senti naquele momento, mas parecia
que a minha vida inteira estava resumida naquele
maravilhoso momento de prazer."
olhos, que nunca havia percebido antes. Meus lábios se
aproximaram dela e nos beijamos. Impossível descrever
exatamente o que senti naquele momento, mas parecia
que a minha vida inteira estava resumida naquele
maravilhoso momento de prazer."
O alquimista pegou um livro que alguém na caravana havia trazido. Folheando as páginas, ele encontrou uma história sobre Narciso.
O Alquimista conhecia a lenda de Narciso, um younth que ajoelhou-se diariamente ao lado de um lago para contemplar sua própria beleza. Era tão fascinado por si mesmo que, numa manhã, ele caiu no lago e se afogou. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que foi chamado de narciso.
Mas isso não era como Oscar Wilde, o autor do livro, a história terminou.
Ele disse que quando Narciso morreu, vieram as deusas do bosque e viram o lago, que havia sido de água doce, transformado em um lago de lágrimas salgadas.
"Por que choras?" As deusas perguntou.
"Eu choro por Narciso," respondeu o lago.
"Ah, não é nenhuma surpresa que você chore por Narciso", disseram eles, "para que nós sempre o perseguiu na floresta, você só poderia contemplar a sua beleza próximo à mão."
"Mas ... Narciso era belo?" Perguntou o lago.
"Quem melhor do que você sabe disso?" As deusas disse com espanto. "Afinal, foi por suas margens que ele se ajoelhou a cada dia para contemplar a si mesmo!"
O lago ficou em silêncio por algum tempo. Finalmente, ele disse:
"Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
"Eu choro porque, cada vez que ele se ajoelhou ao lado da minha bancos, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida".
"Que história linda," o alquimista pensamento.
O Alquimista conhecia a lenda de Narciso, um younth que ajoelhou-se diariamente ao lado de um lago para contemplar sua própria beleza. Era tão fascinado por si mesmo que, numa manhã, ele caiu no lago e se afogou. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que foi chamado de narciso.
Mas isso não era como Oscar Wilde, o autor do livro, a história terminou.
Ele disse que quando Narciso morreu, vieram as deusas do bosque e viram o lago, que havia sido de água doce, transformado em um lago de lágrimas salgadas.
"Por que choras?" As deusas perguntou.
"Eu choro por Narciso," respondeu o lago.
"Ah, não é nenhuma surpresa que você chore por Narciso", disseram eles, "para que nós sempre o perseguiu na floresta, você só poderia contemplar a sua beleza próximo à mão."
"Mas ... Narciso era belo?" Perguntou o lago.
"Quem melhor do que você sabe disso?" As deusas disse com espanto. "Afinal, foi por suas margens que ele se ajoelhou a cada dia para contemplar a si mesmo!"
O lago ficou em silêncio por algum tempo. Finalmente, ele disse:
"Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que Narciso era belo.
"Eu choro porque, cada vez que ele se ajoelhou ao lado da minha bancos, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida".
"Que história linda," o alquimista pensamento.
Assinar:
Comentários (Atom)


